Resenha: Azincourt

Existem alguns escritores que se destacam na minha lista de preferência. Entre tantos - Tolkien obviamente é o primeiro dessa lista - está Bernard Cornwell. Sou apenas um iniciante nos livros de Cornwell - li apenas 7, e isso é pouco se levarmos em consideração que o autor já publicou mais de 40 livros -, mas no pouco que eu li deu para notar o talento absurdo do britânico.

Há muito o que falar sobre as obras já publicadas, como a série Busca do Graal, que se passa no período da Guerra dos Cem Anos, ou talvez sobre as Crônicas Saxônicas, mas hoje eu gostaria de me concentrar em um dos livros mais fenomenais que eu já li: Azincourt.

O nome simples esconde a profundidade da obra do autor neste fantástico romance histórico. É baseado na famosa batalha de Azincourt, ocorrida em 25 de Outubro de 1945, dia de São Crispim, onde o exército inglês, em grande desvantagem numérica, venceu os franceses graças a, principalmente, os arqueiros e sua grande perícia.

No livro temos Nicholas Hook, um guarda-caça com excepcional habilidade com o arco longo, que se envolve em diversas aventuras até ser integrado no exército do rei Henrique V. Cornwell detalha, com uma perfeição fora do comum, o uso do arco longo e transporta o leitor para o cerne da guerra. Como dizem alguns, lendo Cornwell é possível praticamente ouvir o barulho da corda sendo retesada, forçando a madeira a se dobrar, e da flecha atingindo o seu desafortunado alvo. Ele demonstra grande habilidade para descrever a guerra, além de um enorme conhecimento das armas usadas na época.

É claro que Azincourt é apenas mais um romance, uma obra de ficção, mas possui um grande respaldo histórico que inspiram o leitor a querer descobrir mais sobre o assunto. De fato, eu digo, com segurança, que aprendi mais sobre a Guerra dos Cem Anos lendo os livros de Bernard Cornwell do que com todos os livros de história nos tempos de colégio. Na realidade, nunca fui um grande amante de história, mas aqui encontro outro grande exemplo de como uma boa literatura pode influenciar as pessoas de um modo positivo.

Voltando ao assunto, no fim, o autor desvia um pouco o olhar de Nicholas Hook e chama a atenção para o poder de liderança do grande Henrique V, amplamente observado por Shakespeare, e a debilidade de Carlos VI, que segundo os historiadores sofria de doença mental. Este peso reflete-se visivelmente em cada exército e é experimentado pelo protagonista, assim como pelos demais soldados. A diferença na quantidade de soldados - algo que alguns historiadores sugerem como 6 mil ingleses contra 30 mil franceses - acaba sendo superada pela coragem dos arqueiros e pela liderança perfeita do rei, que lutava ao lado dos seus súditos.

Azincourt é sensacional. Um livro pequeno, com uma escrita simples, mas extremamente valioso em sua essência. Em cada linha nos aproximamos de Nicholas, entre suas desilusões e esperanças, e vemos o quão forte pode ser a liderança de um homem.

"Aquele que sobreviver esse dia e chegar a velhice, a cada ano, na véspera desta festa, convidará os amigos e lhes dirá: "Amanhã é São Crispim". E então, arregaçando as mangas, ao mostrar-lhes as cicatrizes, dirá: "Recebi estas feridas no dia de São Crispim."
( A vida do rei Henrique V, ato IV, cena III - Shakespeare)

3 comentários

  1. Esse livro parece ser bem legal, lendo sua resenha fiquei até curioso quanto a historia, mas eu não gosto de históricos, então nem tentaria ler esse livro!
    A resenha ficou muito legal!!

    @felliphy- danifuller.com

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  2. Oi!

    Qualquer livro do Mestre é arrebatador! E é assim mesmo, ninguém descreve batalhas como ele: parece que o leitor está no campo, afundado em lama e sangue, ouvindo os estertores de cavalos e guerreiros, e o clamor das espadas. Só lendo para saber.
    A série a Busca do Graal também conta como os arqueiros ingleses faziam a diferença em uma batalha. Recomendo!

    Bjos!

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  3. Os livros do cornwell são sensacionais... Talvez você já tenha lido, mas caso não, indico mui, se não meto "as crônicas de Artur"... Ah, mais uma coisa, se não me engano, a batalha de azincourt foi 1415.

    Abraços.

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