[Resenha] Proibido - Tabitha Suzuma


| Autor: Tabitha Suzuma | Editora: Editora Valentina | Páginas: 304 | ISBN: 9788565859363 | Skoob | Comprar |

Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis. Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes. Eles são irmão e irmã. Mas será que o mundo receberá de braços abertos aqueles que ousaram violar um de seus mais arraigados tabus? E você, receberia? Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade. Skoob

Acredito que a capa é o cartão de visita do livro, e essa é simplesmente linda e tocante. Sem saber do que se tratava já me interessei pelo livro quando o vi pela internet. Existem outras capas pelo mundo, mas a capa branca com as mãos dos irmãos segurando uma rosa é a mais bonita sem dúvidas. A mão do irmão envolvendo a da irmã traz uma sensação de cuidado e carinho, já a rosa que as duas mãos envolvem nos remete a suavidade e delicadeza. O arame farpado com certeza é a proibição do ato. E ela diz muito sobre a história em poucos artifícios.

Apesar de não ser uma história real, foi baseado em pesquisas com irmãos que sentiram o mesmo amor que Maya e Lochan, e muito da experiência de vida da própria autora.  Incesto consensual não é um termo nada agradável ou comum de se escutar, mas é o tema desse livro.
E eu sei como ele se sente... é tão bom que dói. Acho que vou morrer de felicidade. Acho que vou morrer de dor.
Lochan e Maya Withely são os dois irmãos mais velhos de uma família de cinco filhos. Suas vidas são bem diferentes das de outros jovens da mesma idade. Tão jovens e já possuem uma responsabilidade de gente grande: cuidar de seus três irmãos mais novos, enquanto sua mãe vive como solteira com seu novo namorado. Não podem contar nem com o seu pai que já não os vê há muito tempo.

Estudo, levar e buscar os irmãos na escola, fazer compras e almoço, e ainda se preocupar com o risco constante do serviço social aparecer em casa. Muita responsabilidade para garotos de 16 e 17 anos. Mas o que vemos nessa família é um misto de carinho e atenção que não se vê em muito lar estruturado por aí. Lochan sempre preocupado em atender todas as necessidades de seus irmãos é um “pai” invejável, e Maya sempre tão carinhosa e dedicada é uma “mãe” para Willa, Tiffin e Kit (o irmão rebelde).

Quando iniciei a leitura imaginei que seria uma apelação a ponto de fazer o leitor ficar com raiva da situação, mas as coisas acontecem tão suavemente e com tanto sutileza que, sinceramente, não conseguir sentir asco da relação entre os irmãos. Lochan ama Maya de forma tão intensa e depende tanto de seu amor que faz o leitor torcer por um final inusitado, tipo coisa de novela mesmo. Mas esse é um livro que fala da vida real e não tem nada de fantasia ou sonho nele. Nada utópico. A realidade do alcoolismo de sua mãe, seu descaso com os filhos tornam esse amor ainda mais pertinente.
Como pode algo tão errado nos fazer sentir tão bem?
Em uma rotina tão agitada e fora dos padrões, Lochan ainda convive com um mal que o assombra assim que sai de casa. Ele não consegue se relacionar com seus colegas e prefere passar invisível pelas aulas, até que sua professora de inglês percebe e decide provocá-lo a enfrentar essa situação. A narrativa nos faz sentir o que Lochan sentiu em cada situação, e confesso que li essas partes com um aperto no peito e uma angústia que não passava.   
Hey, hey, me escuta. Há muita ajuda disponível. Há o conselheiro da escola, mas você pode falar com qualquer um de seus professores, também posso recomendar ajuda externa se você não quiser envolver a escola. Você não tem que carregar esse peso sozinho.
Esse foi um livro que me pegou pelo pé e me conquistou. Chorei tal a intensidade do amor de Lochan. Chorei pela frustação de Maya. Resumindo, chorei de felicidade e tristeza. Mas antes de ler vejam o vídeo que a EditoraValentina publicou.


Tive a oportunidade de ler esse livro em formato digital pelo kindle e já estou com vontade de tê-lo em minha estante. Adoro temas que me chocam, afinal a literatura não está aí para nos transportar para outras realidades? Leiam de mente aberta e coloquem seus preconceitos de lado.


Tabitha Suzuma
A Autora

Tabitha Sayo Victoria Anne Suzuma nasceu em Londres, filha de mãe inglesa e pai japonês, a mais velha de cinco filhos. Ela frequentou o liceu francês, mas saiu da escola aos catorze anos. Dez anos depois, ela se tornou professora e escreveu seu primeiro livro, A Note of Madness. Ela ainda escreveu mais três obras para o público jovem adulto: From Where I Stand, A Voice in the Distance e Without Looking Back. Seu trabalho mais famoso, Forbidden, conta a história de um romance incestuoso entre um irmão e uma irmã. Sua obra mais recente é Hurt, livro lançado em 2013.

2 comentários

  1. Oi Jádia, é tão bom quando um livro nos conquista assim né? Eu infelizmente ainda não li, mas já adicionei na minha lista.
    Bjs, Rose

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    Respostas
    1. Esse me conquistou completamente. Polêmico, porém lindo... dá para ser assim?
      adorei..
      Obrigada pela sua visita

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