[RESENHA] Na Companhia das Estrelas - Peter Heller


Na Companhia das Estrelas

Em um mundo devastado pela doença, Hig conseguiu escapar à gripe que matou todo mundo que ele conhecia. Sua esposa e seus amigos estão mortos, e ele sobrevive no hangar de um pequeno aeroporto abandonado com seu cachorro, Jasper, e um único vizinho, que odeia a humanidade, ou o que restou dela.Mas Hig não perde as esperanças. Enquanto sobrevoa a cidade em um avião dos anos 1950, ele sonha com a vida que poderia ter vivido não fosse pela fatalidade que dizimou todos que amava. Hig é um guerreiro sonhador. E tem uma imensa vontade de gente, apesar da desilusão que se abateu sobre ele. Por isso é capaz de arriscar todo seu futuro quando, um dia, o rádio de seu avião capta uma mensagem... Voe com Hig e Jasper e se encante ao descobrir que um mundo melhor pode estar em cada um de nós.



Nas asas do destino ele buscará uma nova direção...


Um livro muito interessante, uma história triste, futurista, calma e profundamente tocante.
Se você está à procura de fortes emoções, adrenalina, muitos diálogos e agitação esse é o livro errado. Mas se você gosta de ‘’história’’ mesmo, aquelas com um começo mais lento, que vai te envolvendo aos poucos, que tem muito dos pensamentos e dramas internos dos personagens, que vai e volta no tempo para explicar dias atuais, que de forma gradativa vai se tornando mais intensa, então esse é seu livro certo.

Nosso personagem principal Hig é como Adão (Bílico), ele em alguns momentos cômicos como se auto intitular assim. Não que ele seja o último homem na terra, existe mais alguns espalhados até onde ele conseguiu descobrir, mas praticamente toda a população restante no planeta está infectada da doença do sangue, algo que começou como se fosse uma gripe com muita tosse. A maioria morreu, e quem resta está doente, os poucos que não estão tentam saquear, matar e roubar para sobreviver. O mundo virou um ‘’cada um por si’’. Como ele sabe que o planeta ficou assim? Começou aos poucos como uma epidemia, e agora não existe mais comunicação com o mundo, a tv, rádio, correio... Tudo parou, porque se deduz que não só nos EUA, mas todos no mundo, estão mortos ou morrendo.

Hig perdeu de forma trágica para doença sua esposa grávida, e tudo que lhe resta é seu cachorro Jasper, e o seu ‘’vizinho’’ Bangley, um homem estranho que detesta todas as poucas pessoas restantes no mundo e mata sem dó.

Ambos vivem em um antigo aeroporto sozinhos e isolados há uns nove anos. Suas vidas se resumem em plantar, caçar (os poucos bichos que restam) e vigiar. Pois ainda que a frequência diminua conforme as mortes aumentam, eles geralmente enfrentam alguns bisbilhoteiros que tentam saquear sua comida e os matar. Entendam assim, todos os alimentos perecíveis no mundo apodreceram, o que resta de comida boa é muito pouco e a terra está esquentando, rios e lagoas secam diariamente, por isso o alimento e água são  tão valiosos aos sobreviventes.

''Nove anos é tempo demais.
Para viver com as loucuras de Bangley.
Para me lembrar do hospital designado para a gripe e.
Para sentir saudades da minha mulher depois.
Para pensar em pescar e não ir.
Outras coisas.'' pág. 39

Hig é um cara interessante, tem um bom coração, não gosta de matar nem animais. Ele é do tipo ‘’pensante’’ (gostar de pescar é uma dica) seu inteligente cão Jasper é tudo para ele, uma vez que é a única família que restou, ele até gosta de Bangley, mas morre de medo dele perceber que pode se virar sozinho e assim resolva mata-lo. Um ponto a favor de Hig é que ele pilota um antigo avião que possui, e assim consegue vigiar o perímetro dos invasores.

A história se concentra no que restou da vida de Hig, em seu relacionamento de amor, amizade e lealdade com seu cão, na sua estranha relação de sobrevivência com Bangley, e descobri qual a finalidade de sua vida, o que fazer com o que restou dela. Pois viver apenas para vigiar, matar e caçar não parece um destino muito feliz.

Temos alguns momentos engraçados, como quando ele compara sua vida com Bangley como um casamento, e fala que é sua ‘’esposa’’. Ou quando ele encontra em uma de suas viagens de avião uma moça numa fazenda, e pensa ter encontrado sua Eva.

''Não mais que três dias. É sério. Toda vez que você dá suas malditas voltas ficamos vulneráveis.
Lancei a cabeça e olhei para ele. Foi a primeira vez que admitiu minha utilidade.
Não durmo bem, admitiu. Para ser honesto  (...)
Ele não dorme bem quando eu estava fora. Como uma maldita esposa. Maldito Bangley. Bem quando pensava que o queria bem longe.'' pág. 89

Temos muitos momentos deprimentes também, só para terem uma ideia à comida de Jasper (cachorro) é carne humana... Lembram-se dos invasores que Bangley mata? Pois é... Ou quando Hig acaba por matar um homem por latinhas de Coca-Cola, um total luxo para eles. Fora as tristes famílias doentes que moram perto e ele visita.

'' É isso o que faço, é o que tenho feito: tiro a pele das aneas, braços, peito, nádegas, panturrilhas. Corto fatias finas, coloco em salmoura e seco-as para Jasper, para os dias seguintes.'' pág. 66

O final do livro foi muito belo e singelo, de uma forma que só lendo para compreender, tivemos grandes surpresas, de certo modo uma reviravolta na vida desses homens. Posso dizer que terminei o livro satisfeita e feliz com o fim de todos.

Peculiaridades do livro: Sabem os travessões () indicando as falas dos personagens em diálogos? Pela primeira vez vi um livro sem eles, confesso que me confundi em muitas partes, mais por uma questão de falta de costume mesmo. O livro todo é narrado por Hig, e algumas vezes ele fala consigo mesmo imitando o que Bangley diria, temos também poucos diálogos e muitos pensamentos e lembranças. Ai sem o costumeiro travessão é difícil saber quando ele está ou não dialogando com alguém.

Diagramação: As páginas são amareladas, as letras são bem grandes, tudo contribuindo para uma boa leitura. A capa é linda, adorei o estilo céu noturno com as estrelas brilhantes, e as sombras de Hig e Jasper. A narrativa flui muito bem, o fluxo de informação é envolvente, sempre mesclando um pouco do passado para nos manter entretidos e compreendendo bem o presente.

Recomendo muito esse livro, e digo mais, nunca tinha lido nada do autor, mas agora virei sua fã. ^^


Autor: Peter Heller
Titulo: Na Companhia das Estrelas
ISBN: 9788581632346
Ano: 2013
Páginas: 352




Um comentário

  1. Eu estou bem curiosa para ler esse livro porque vi a sinopse e achei bem interessante. Sua resenha ficou muitooo boa Erenita!!

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