[Resenha] O Jogo de Ripper – Isabel Allende


| Autor: Isabel Allende | Selo: Bertrand Brasil| Páginas: 490 | ISBN: 9788528617573 | Skoob |Comprar|

O Primeiro e aguardado romance policial de Isabel Allende. Ripper é um inocente jogo de RPG que envolve cinco participantes de diferentes países, reunidos via Skype, para desvendar enigmas criminais. Amanda, filha de um policial da divisão de homicídios de São Francisco, é viciada em crimes sinistros e neste jogo de mistério online.Quando o vigia de uma escola é assassinado e uma série de mortes misteriosas começa a acontecer em São Francisco, os cinco jogadores de Ripper se envolvem com os casos. Afinal, eles logo se dão conta de que os crimes parecem ter sido cometidos por um mesmo assassino.Mas o que deveria ser apenas um entretenimento vira questão de vida ou morte quanto Amanda percebe que o cerco do serial killer se fecha em torno de alguém que ela ama. Um plano perverso, premeditado até o último detalhe, está prestes a se tornar realidade. A escritora chilena Isabel Allende faz sua estreia no gênero policial em um romance repleto de intrigas, humor e ironia. - SKOOB

Ao tocar na capa você tem um dos primeiros prazeres da leitura, uma capa preta aveludada belíssima, super confortável de segurar. Peguei-me várias vezes contemplando aquela capa de aspecto fosco e suave. São 490 páginas, o que não é pouco e que faz dele um “livrão”, isso às vezes assusta aqueles de leitura mais lenta. Mas posso garantir que a quantidade de páginas não o define como leitura lenta ou chata.

Como todo bom romance policial, inicia com um crime grotesco sem solução e que chama atenção de toda a mídia. Amanda, uma adolescente inteligente e filha de pais separados, resolve incluí-lo como novo desafio em um jogo online chamado Ripper, que originalmente é um jogo onde os participantes tentam resolver crimes do famoso Jack, o Estripador. São cinco jogadores que se encontram via Skype e assumem diferentes e interessantes identidades, como o do detetive Sherlock Holmes ou da vidente Abatha.
Um garoto da Nova Zelândia, paraplégico devido a um acidente e condenado a uma cadeira de rodas, mas com a mente livre para vagar por mundos fantásticos e viver tanto no passado quanto no futuro, adotou o papel de Esmeralda, uma cigana esperta e curiosa. (...)
Boa parte da história Isabel Allende utiliza de sua arte como romancista para descrever os personagens, como vivem e seus aspectos psicológicos com riqueza de detalhes. Seja Ryan Miller, um Navy Seal aposentado com uma perna mecânica e seu cachorro com treinamento militar Atila, ou Indiana Jackson, mãe de Amanda e terapeuta holística em uma clínica insalubre nos arredores de São Francisco. Ela constrói cada personagem e os liga como fortes laços de amizade ou traços de loucura obsessiva.
Brunswick era um sujeito complicado. Indiana soube disso desde o princípio, antes que ele abrisse a boca na primeira sessão, porque sentiu uma coroa de ferro comprimindo seu crânio e um saco de pedras em suas costas: aquele infeliz carregava um peso monumental.
Quando comecei a ler esse livro e fui pesquisar sobre a escritora em sites como o skoob ou Google, lembrei-me que nunca tinha lido nada dela e só tinha visto uma adaptação de um de seus romances para o cinema, A Casa dos Espíritos, fato que não me deixou muito animada já que tinha achado o filme parado demais. Juro que pensei “isso não vai dar certo”. Mas me surpreendi e um pouco antes da metade do livro entrei no clima da trama de tal forma que só consegui parar quando o concluí.
Assim que sentiu que Atila tocara o chão, Miller amarrou outra extremidade da corda na moldura de ferro da claraboia e usou-a para descer. “Já estamos dentro, amigo”, murmurou, colocando seus óculos novos. Demorou alguns segundos para habituar a vista às imagens fantasmagóricas e movediças verdes, vermelhas e amarelas. (...)
Esperem por boas surpresas ao final desse livro, algumas bem tristes, mas tudo em prol da boa história. Arrisco a dizer que se a Allende não continuar escrevendo sobre a Amanda, em uma possível sequência, perderá uma ótima personagem. Ah sim, e é óbvio que recomendo, gostando do gênero policial ou não, é uma excelente narração.

Uma curiosidade sobre esse livro é que a sua agente, Carmen Balcells, sugeriu à Isabel Allende que a escrita fosse feita a quatro mãos juntamente com seu marido e também escritor de romances policiais, Willlie Gordon. Mas essa aventura durou pouco quando Isabel percebeu que esse projeto terminaria em divórcio, de maneira que resolveu dedicar-se ao livro sozinha. Contando com a ajuda de Willie para estruturá-lo e apoiá-la nos momentos necessários.


Isabel Allende nasceu em 1942, no Peru, onde seu pai era diplomata. Viveu no Chile entre 1945 e 1975, com longos períodos de residência em outros lugares, na Venezuela até 1988 e, a partir de então, na Califórnia. Começou a carreira literária como jornalista no Chile e na Venezuela. Em 1982, seu primeiro romance, A casa dos espíritos, tornou-se um dos títulos míticos da literatura latino-americana. A ele se seguiram muitos outros, todos com grande sucesso internacional. Seus livros já foram traduzidos para 35 idiomas. Recentemente, recebeu o Prêmio Nacional de Literatura 2010, no Chile, e o Prêmio Hans Christian Andersen, em 2012, este último pela série As Aventuras da Águia e do Jaguar. 
Jádia Santos

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